sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Myself..


Ela parecia ver anjos todas as noites. Pensava calmamente em momentos, e em pessoas impossíveis de ter. Não passava de uma pequena sonhadora deitada na cama, agarrada ao cobertor, que derramava lágrimas enquanto a chuva caia sobre o outro lado da janela. Fingia que poderia esquecer de coisas que aconteceram a muito tempo atrás… e que lhe perseguem até hoje. Mas ela fingia que estava bem. Era só mais uma noite, nada que pudesse resistir. 
Ela era tão fria. Tão fechada sobre seus próprios sentimentos. Ela era tão… fugitiva. Ela fugia por medo, por precaução. Ela fugia até dos seus próprios desejos. Ela fugia do seu mundo. Ela não queria ser vista por mais ninguém. — como se tivesse coisa para se ver  porque ela era tão invisível, transparente. 
Ela fingia ter coragem. Fingia esquecer o passado. Fingia não querer tanto achar uma saída para qualquer outro lugar. Mas ela era tão boa nisso. Ela fingia sorrisos, fingia lágrimas, fingia emoções, mas seu pior erro era esconder os sentimentos. Não havia ninguém ali. Não havia ninguém por perto, para abraçá-la, para esquentá-la, para ouvir os soluços do teu choro. Não havia ninguém para ver o travesseiro sendo molhado pelas lágrimas que escorriam do seu olho, ninguém para dizer que isso tudo iria passar.
E por mais que tentasse negar… doía muito.

Apenas Lembranças ..



      -  Não tem como segurar todas as pessoas que passam por nossas vidas.  Já tentei, não dá.  Eu acabei conhecendo tantas pessoas e cada uma com um jeito único. Sorrisos diferentes, abraços diversos,  gostos estranhos.  É assim: a gente abre a porta, elas entram e depois vão embora, algumas fazem falta, outras não.  Fácil de entender,  mas difícil de aceitar.  Às vezes me pergunto como pode, eu, com esse meu jeito áspero feito tapete batido, sentir a falta de uma pessoa como se ela fosse - dentre tantas outras - a única que eu conhecesse? É isso que eu não entendo. Como pode? Aliás, como posso ser tão dependente de alguém que só me visitou em sonhos? Eu sou igual aqueles tapetes de crochê que a gente vê na casa das tias, sabe? Aquele todo trabalhado, lindo, mas que fica no chão e só serve pra passar o pé. Tanto na entrada, como na saída. Quem dera se eu pudesse morar pra sempre em alguém, nem que seja num espaço pequeno. Sei lá, eu me viro. Só cansei dessas impossibilidades, cansei de guardar pra sempre tantos sorrisos, abraços e gostos que não quiseram ficar.    

Não sei.



No fundo você não sabia, não sabia como ia ser, o que ia sentir.

No fundo nem eu sabia, nem esperava.
Só me dei conta quando senti seu coração, batendo no meu peito.
Afastei seu rosto, e era o mesmo de três semanas atrás, o mesmo de anos atrás.
Os olhos que muitas vezes me encantaram, agora me olhavam arregalados.
Consegui ver dentro deles, um abismo, de dúvidas.
E eu estava lá, na beira, pronto pra pular mais uma vez.
Não senti medo, nem coragem.
Senti saudade, senti amor.
Um encontro normal, bobo, pra trazer tudo à tona.
Um encontro normal, bobo, pra esfregar na cara que a gente já não é nada.
 Momentos que eu nem sabia que existiam, que eu nunca lembrei.
Mas que agora eu não consigo esquecer. 
Não consigo parar de reviver.
Sim, revivo cada um, dentro de mim, até os pequenos detalhes.
Pequenos?
Hoje eu vejo que foram os pequenos detalhes que eu mais amei.
Ou amo, não sei.



- Jéssica Lenny !